quarta-feira, 25 de junho de 2008

Blog lelê

Texto extraído do blog da lelê, amiga minha =D
obs: essa é a diferença básica de quem faz letras (ela) e aquele que não sabe nem usar vírgulas (eu).


Um dia comum.


Ele buscava por sua gravata debaixo da cama e ali, literalmente de quatro.. sentia-se em uma posição arriscada e que em poucos minutos se tornou tentadora para o seu filho de 3 anos, que em um único impulso agarrou-o pelos cabelos e o montou como se fosse um cavalo! Ainda com a fala embaralhada, balbuciava os dizeres: "Papa, não, tempo, mama", que aprendera ouvindo sua mãe resmungar repetidas vezes: "Seu pai não tem tempo para a mamãe".
E naquela aventura de cavalaria, sentindo seus pés longes do chão.. despreocupado com o tempo e a (im)paciência de seu pai, ele grita coisas que nem mesmo ele sabe, que certamente ouvira dos filmes da sessão da tarde da Globo.
O pai, realmente sem tempo, apela para os cuidados da mãe, que dá cozinha grita: "Filho, deixe seu pai em paz, ele precisa ir trabalhar"
Cuidadosamente, ainda que impaciente, ele tira o filho das costas numa manobra circense e o põe em cima da cama, dá-lhe um beijo na testa e diz: "Papai te ama, até a noite"
O menino dá três cambalhotas e pula da cama, pensando "Papa é meu herói"... e encaminha-se para a cozinha, pronto para mais uma aventura!
O pai, já engravatado, dá um beijo carinhoso no rosto da esposa que se limita a enxugar as louças, diz duas ou três palavras de uma mulher atenciosa, e retribui o beijo com um olhar desamparado e antes que a porta batesse no batende, indicando a saída do marido, despede-se esperançosa e rotineira: Até o jantar!
Os deveres de casa feitos, o filho limpo e ainda com muitas energias e o jantar pronto. Já passavam das oito e meia e ele ainda não havia chegado. Deveria estar fazendo hora extra. Nove horas. Dez... Já impaciente e preocupada, explode com a insistência do filho "Mama, adê papa?" e retira a mesa do jantar. Passa-lhe a cabeça a traição, os nervos à flor da pele. Liga ao escritório, nada. Liga ao celular, nada.
Até que então é surpreendida pelo toque do telefone, atendido rapida e desesperadamente.
O coração aos pulos, a pressão quase à nivel do mar... bate o telefone e põe-se a chorar.
O menino, que já não entendia a impaciência da mãe antes do telefonema, entendia menos ainda a situação que ocorria. Chega perto da mãe, senta-se ao lado dela, que está no sofá com a cabeça baixa.. alisa-lhe os cabelos e diz espontaneamente: "O papa é meu herói"
A mãe abraça-o com força, numa mista sensação de vazio e culpa, por nem ao menos lembrar a última palavra que dirigiu ao marido, pensa "Hoje o herói não volta pra casa".

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